Uma empresa pode conhecer o número de pessoas de cada área e, ainda assim, não saber se possui as capacidades necessárias para executar sua estratégia. A matriz de habilidades resolve parte desse problema ao tornar visível quem domina cada habilidade, em qual nível, onde estão as lacunas e quais ações de desenvolvimento devem ser priorizadas.

Na prática, ela substitui percepções vagas, como, “a equipe precisa melhorar a análise de dados”, por um diagnóstico comparável.

Em vez de oferecer o mesmo curso para todos, o RH identifica quais profissionais precisam aprender o fundamento, quem precisa praticar com autonomia e quem já pode atuar como referência interna.

Esse tipo de visão é cada vez mais relevante. O Future of Jobs Report 2025 aponta que os empregadores esperam uma mudança de 39% nas habilidades essenciais até 2030.

A OCDE também descreve o avanço da abordagem skills-first, que prioriza habilidades demonstradas, e não somente diplomas ou títulos de cargo. Para o RH, isso reforça a importância de manter um mapa vivo das capacidades disponíveis e necessárias.

Neste guia, você encontrará uma escala completa de 0 a 4, um exemplo, modelos, fórmulas de indicadores e orientações para conectar o diagnóstico à avaliação de desempenho, ao PDI, à 9 Box e ao treinamento.

O que é uma matriz de habilidades?

A matriz de habilidades, também chamada de skill matrix ou mapa de habilidades, é uma representação estruturada das habilidades exigidas em uma equipe e do nível atual de domínio de cada colaborador.

As linhas normalmente representam pessoas, funções ou cargos; as colunas representam habilidades; e as células registram níveis avaliados com base em critérios definidos.

Uma boa matriz responde a cinco perguntas:

  1. Quais habilidades são críticas para esta equipe entregar seus resultados?
  2. Qual nível cada função precisa alcançar?
  3. Qual é o nível demonstrado por cada profissional?
  4. Onde estão os gaps individuais e coletivos?
  5. Que ação deve ser tomada para fechar cada lacuna prioritária?

Ela é uma fotografia de capacidades em determinado momento, não um rótulo definitivo sobre as pessoas. Por isso, precisa ser revisada quando o trabalho, a tecnologia, a estratégia ou as responsabilidades mudam.

Habilidade e competência são a mesma coisa?

Não. Embora os termos sejam usados como sinônimos em alguns contextos, habilidade é uma capacidade específica de executar algo, enquanto competência é uma combinação mais ampla de conhecimentos, habilidades e atitudes mobilizados para gerar uma entrega em determinado contexto.

Por exemplo, “conduzir uma entrevista estruturada” pode ser tratada como habilidade. Já “seleção por competências” envolve conhecimento sobre o perfil da vaga, habilidade para investigar evidências, julgamento para comparar candidatos e atitudes como imparcialidade e responsabilidade.

O método CHA ajuda a compreender essa composição entre conhecimentos, habilidades e atitudes. A matriz de habilidades pode detalhar capacidades mais específicas dentro de uma competência ampla, especialmente quando a empresa precisa decidir quem está apto a executar uma atividade, orientar colegas ou assumir uma função.

Matriz de habilidades, matriz de competências, avaliação de desempenho e 9 Box: qual é a diferença?

Essas ferramentas se complementam, mas respondem a perguntas diferentes. Misturá-las cria avaliações confusas e decisões pouco defensáveis.

FerramentaFoco principalPergunta respondidaUso típico
Matriz de habilidadesCapacidades específicasO que a pessoa sabe fazer e em qual nível?Gaps, cobertura e desenvolvimento
Matriz de competênciasConhecimentos, habilidades e atitudesQuais competências a função exige?Perfil, desenvolvimento e carreira
Avaliação de desempenhoEntregas e comportamentos no períodoComo a pessoa desempenhou seu papel?Feedback, reconhecimento e decisões
9 BoxDesempenho e potencialComo o talento se posiciona nesses dois eixos?Sucessão e gestão de talentos

Matriz de habilidades versus matriz de competências

A matriz de habilidades costuma trabalhar com capacidades mais delimitadas e demonstráveis, como operar um equipamento, analisar uma base de dados ou negociar com um fornecedor.

A matriz de competências pode reunir conhecimentos, habilidades e atitudes mais abrangentes, como liderança, visão estratégica ou orientação para o cliente.

Não existe uma fronteira universal. O mais importante é a organização definir uma taxonomia coerente e manter o mesmo significado em descrições de cargo, avaliações, PDIs e trilhas de aprendizagem.

O conteúdo sobre organização baseada em habilidades aprofunda como esse vocabulário comum pode orientar recrutamento, desenvolvimento, mobilidade e sucessão.

Matriz de habilidades versus avaliação de desempenho

A matriz mostra o domínio de capacidades específicas. A avaliação de desempenho analisa como a pessoa atuou em um período, considerando entregas, metas, comportamentos ou competências definidos pela empresa.

Uma pessoa pode possuir uma habilidade em nível avançado e, ainda assim, apresentar desempenho abaixo do esperado por falta de recursos, prioridades conflitantes, problemas de alinhamento ou baixo engajamento.

Também pode atingir uma meta circunstancialmente sem demonstrar domínio sustentável. Por isso, habilidade e desempenho devem ser analisados em conjunto, sem usar uma medida como substituta da outra.

Matriz de habilidades versus 9 Box

A matriz de habilidades mostra o que a pessoa sabe fazer e quais capacidades precisa desenvolver. A matriz 9 Box posiciona talentos a partir do cruzamento entre desempenho e potencial, conforme os critérios adotados pela organização.

O mapa de habilidades pode fornecer evidências para a discussão de potencial, como velocidade de aprendizagem, amplitude de domínio ou capacidade de ensinar, mas não determina sozinho o quadrante.

A 9 Box também não substitui o diagnóstico detalhado das habilidades necessárias para o cargo atual ou para uma posição futura.

Para que serve a matriz de habilidades?

Quando bem aplicada, a ferramenta ajuda o RH e as lideranças a tomar decisões em seis frentes.

Planejamento de treinamento

O diagnóstico mostra quais lacunas afetam mais pessoas e quais ameaçam entregas críticas. Assim, o RH deixa de escolher cursos apenas por percepção ou demanda pontual e passa a relacionar investimento, público e resultado esperado. A matriz também ajuda a escolher o formato: curso para um gap coletivo, mentoria para poucos profissionais ou prática supervisionada quando o conhecimento já existe, mas falta autonomia.

PDI e desenvolvimento contínuo

O gap individual indica o ponto de partida do Plano de Desenvolvimento Individual. Em vez de registrar “melhorar liderança”, o PDI pode definir uma habilidade, o nível atual, o nível desejado, a evidência esperada e o prazo de revisão.

A análise de gaps de competências no PDI da RHGestor ajuda a converter o diagnóstico em ações acompanháveis.

Sucessão e redução de riscos

A matriz revela atividades dominadas por apenas uma pessoa. Esse ponto único de dependência pode comprometer férias, afastamentos, promoções ou continuidade operacional.

Ao identificar o risco, a liderança pode formar backups, registrar conhecimento e preparar sucessores antes que a vaga se torne urgente.

Mobilidade e promoção interna

Ao comparar as habilidades demonstradas pelo colaborador com as exigidas por outra função, o RH identifica movimentos possíveis e gaps de transição. Isso não elimina entrevistas ou critérios de elegibilidade, mas torna a conversa mais objetiva.

Para formalizar o movimento, é importante combinar o mapa com responsabilidades, faixa e critérios de uma promoção de cargo bem estruturada.

Distribuição de trabalho

Gestores podem montar projetos equilibrando profissionais experientes e pessoas em desenvolvimento.

A matriz não deve servir para concentrar todas as tarefas difíceis nos mesmos especialistas, deve ajudar a distribuir exposição, criar pares de aprendizagem e aumentar a cobertura da equipe.

Recrutamento mais preciso

Quando um gap não pode ser resolvido no tempo necessário por desenvolvimento interno, a empresa ganha clareza sobre o que precisa buscar no mercado.

O perfil da vaga passa a refletir habilidades críticas e evidências esperadas, evitando listas genéricas de requisitos.

Essa decisão também pode ser conectada a uma seleção mais estruturada e aos cuidados para reduzir vieses no recrutamento.

Quando a empresa deve utilizar uma matriz de habilidades?

A matriz é especialmente útil quando a organização precisa responder a pelo menos uma destas situações:

  1. expansão de uma operação, unidade ou linha de negócio;
  2. implantação de uma tecnologia ou mudança relevante de processo;
  3. dificuldade para priorizar o orçamento de treinamento;
  4. concentração de conhecimento em poucas pessoas;
  5. necessidade de formar sucessores ou novas lideranças;
  6. criação de trilhas de carreira e mobilidade interna;
  7. baixa consistência entre avaliações feitas por gestores diferentes;
  8. contratação recorrente sem clareza sobre as capacidades realmente ausentes;
  9. exigências técnicas, de qualidade, segurança ou conformidade.

Não é necessário mapear toda a empresa de uma vez. Um piloto em uma área crítica costuma ser mais produtivo: permite testar conceitos, ajustar a escala e mostrar valor antes da expansão.

Como fazer uma matriz de habilidades em 9 etapas

1. Defina a decisão que a matriz precisa apoiar

Comece pela pergunta de negócio, não pela planilha. A empresa quer reduzir a dependência de especialistas? Planejar o treinamento anual? Preparar uma sucessão? Apoiar a expansão? A decisão define a profundidade, o público e a frequência de atualização.

Se a matriz tentar atender a todas as finalidades desde o início, tende a ficar extensa e difícil de manter. Um objetivo claro também ajuda a integrar o diagnóstico ao planejamento estratégico do RH.

2. Delimite equipe, funções e horizonte

Registre quem participa, quais funções estão incluídas e para qual período o mapa será válido.

Em uma transformação tecnológica, pode ser necessário mapear as habilidades atuais e as que serão exigidas nos próximos 12 ou 24 meses. Em uma operação, o foco pode ser a cobertura imediata por turno.

3. Escolha habilidades relevantes

Use descrições de cargo, processos críticos, metas da área, incidentes recorrentes, requisitos de clientes e entrevistas com gestores e especialistas.

Comece com aproximadamente cinco a dez habilidades essenciais por equipe. Uma lista menor e bem definida gera mais ação do que dezenas de itens vagos.

Cada habilidade deve representar algo que possa ser observado. Prefira “elaborar análise de causa raiz” a “ser analítico”; “conduzir reunião de feedback” a “boa comunicação”; “configurar campanha no CRM” a “marketing digital”.

Inclua habilidades comportamentais somente quando houver contexto e evidência.

“Comunicação” é ampla demais. “Apresenta recomendações executivas com dados, riscos e próximos passos” é mais avaliável.

Para competências relacionadas à atuação da liderança, o artigo sobre capacitação de líderes oferece exemplos de necessidades que podem ser traduzidas em comportamentos observáveis.

4. Defina o nível exigido por função

Nem todos precisam chegar ao nível máximo em tudo. Determine o nível necessário para cada função considerando complexidade, autonomia e responsabilidade. Exigir nível 4 de toda a equipe aumenta artificialmente os gaps e desperdiça recursos.

Por exemplo, um analista pode precisar atingir nível 2 em dashboards para executar análises rotineiras. Um especialista responsável pela governança da área pode precisar de nível 4 para definir padrões e desenvolver outras pessoas.

5. Crie uma escala com critérios observáveis

A escala deve explicar o que muda de um nível para outro. O modelo abaixo pode ser adaptado à realidade da empresa.

NívelCritério observávelEvidência possível
0Não possui conhecimento.Não reconhece conceitos ou etapas básicas.
1Conhece o conceito, mas precisa de acompanhamento.Explica o fundamento e executa partes com orientação.
2Executa tarefas rotineiras com autonomia.Conclui casos recorrentes com qualidade e sem intervenção.
3Resolve situações complexas e orienta colegas.Trata exceções, decide com segurança e apoia o time.
4É referência e desenvolve a capacidade na organização.Define padrões, ensina, melhora práticas e forma referências.

O nível 4 não significa apenas “faz melhor”, ele envolve ampliar a capacidade organizacional: criar padrões, resolver exceções relevantes, ensinar, revisar práticas ou desenvolver outras pessoas. Essa distinção evita distribuir notas altas apenas por tempo de empresa.

6. Defina evidências válidas

Antes de avaliar, estabeleça que provas serão aceitas. Exemplos incluem entregas recentes, simulações, testes práticos, certificações quando aplicáveis, registros de qualidade, observação direta, portfólio de projetos e feedback de pessoas que acompanharam a execução.

Autoavaliação pode abrir a conversa, mas não deve ser a única evidência. Da mesma forma, uma certificação demonstra aprendizagem ou aprovação em um exame, mas não prova automaticamente a aplicação autônoma no contexto real da empresa.

7. Avalie os colaboradores

Peça que cada gestor registre nível, evidência e data de observação. Quando fizer sentido, combine autoavaliação, avaliação da liderança e prova prática. Divergências não são necessariamente um problema: elas revelam conceitos que precisam ser esclarecidos.

Faça a conversa como diagnóstico de desenvolvimento, não como julgamento. Explique a finalidade, quem terá acesso e como os dados serão usados.

Uma devolutiva comportamental clara ajuda a transformar diferenças de percepção em acordos sobre próximos passos.

8. Calibre as avaliações entre gestores

Calibração é a reunião em que RH e lideranças comparam critérios e evidências para reduzir distorções. Não se trata de forçar uma curva ou fazer todos os times terem a mesma média. O objetivo é garantir que “nível 3” signifique aproximadamente a mesma coisa em contextos equivalentes.

Conduza a calibração com exemplos-limite. Se um gestor atribuiu nível 3 porque o colaborador concluiu uma tarefa difícil uma única vez, pergunte se ele também resolve variações sem ajuda e orienta colegas. Se outro gestor exige perfeição para dar a mesma nota, verifique se está adicionando requisitos não previstos na escala.

Registre a justificativa das mudanças. Para reduzir o efeito de memória recente, afinidade ou primeira impressão, use evidências de diferentes momentos e observe os mesmos cuidados aplicados à gestão de desempenho.

9. Calcule gaps e transforme-os em ações

O gap pode ser calculado de forma simples:

Gap da habilidade = nível necessário - nível atual

Considere zero quando o nível atual já for igual ou superior ao necessário. Depois, aplique uma prioridade de negócio.

Um gap de dois pontos em uma habilidade crítica, sem backup e exigida nos próximos três meses, merece mais atenção do que um gap maior em uma capacidade de uso eventual.

Uma fórmula prática de priorização é:

Prioridade do gap = tamanho do gap × criticidade da habilidade × urgência

Use escalas pequenas, por exemplo, de 1 a 3 para criticidade e urgência. A pontuação organiza a conversa, mas não substitui o julgamento do RH e da liderança.

Exemplo prático: matriz de habilidades de uma equipe de Recrutamento e Seleção

Considere uma equipe fictícia responsável por processos seletivos em uma empresa com várias unidades. O objetivo é reduzir o tempo de contratação sem perder qualidade e preparar um backup para a liderança técnica.

As cinco habilidades escolhidas são: alinhamento de perfil, triagem por evidências, entrevista estruturada, análise de indicadores e operação do ATS. O nível mínimo esperado para a função de analista pleno é 2 em todas, com nível 3 em entrevista estruturada.

ProfissionalPerfilTriagemEntrevistaIndicadoresATS
Ana33322
Bruno32113
Carla21132
Diego33233

Como interpretar o exemplo

Ana atende ao perfil esperado e pode orientar colegas em entrevistas. Seu próximo passo não precisa ser um curso básico; pode ser uma mentoria para desenvolver análise de indicadores e ampliar sua atuação.

Bruno tem um gap prioritário em entrevista estruturada. Como já domina o alinhamento de perfil e o ATS, a ação mais adequada pode combinar observação de entrevistas conduzidas por Ana, prática com roteiro e revisão de evidências após cada processo.

Carla possui boa capacidade analítica, mas ainda precisa ganhar autonomia em etapas centrais da seleção. Um PDI focado em condução assistida de processos completos tende a ser mais útil do que uma trilha genérica para toda a equipe.

Diego apresenta maior equilíbrio e pode atuar como backup em indicadores e operação do ATS. Antes de ser considerado sucessor para uma posição de liderança, porém, a empresa deve analisar desempenho, potencial, interesse de carreira e competências de gestão — não apenas somar suas notas.

Exemplo de plano de ação derivado da matriz

PessoaGap prioritárioAção de desenvolvimentoEvidência de evolução
BrunoEntrevista: 1 ¿ 2Shadowing com Ana e quatro entrevistas com roteiroCasos rotineiros conduzidos sem intervenção
CarlaTriagem: 1 ¿ 2Revisar critérios e triar três vagas com devolutivaShortlists justificadas por evidências
AnaIndicadores: 2 ¿ 3Liderar análise mensal e recomendar uma melhoriaDecisão aplicada com resultado acompanhado
EquipeBackup de entrevistaDupla Ana–Diego e registro do padrãoDuas pessoas aptas a orientar casos complexos

Esse desdobramento é o que transforma a matriz em gestão. Sem responsável, prazo e evidência de evolução, a planilha apenas documenta o problema.

Modelo editável de matriz de habilidades

Copie a estrutura abaixo e substitua os exemplos pelas habilidades críticas da equipe. Antes do preenchimento, registre o nível necessário por função em uma tabela separada. Isso permite comparar profissionais que ocupam cargos diferentes sem presumir que todos precisam do mesmo domínio.

Pessoa ou funçãoHabilidade observávelNível necessárioNível atualAção e evidência
Exemplo: Analista plenoEntrevista estruturada31Conduzir quatro entrevistas; validar autonomia
Registro por habilidadeDescreva uma capacidade específicaDefina de 0 a 4Avalie de 0 a 4Indique ação, prazo e prova
RevisãoRegistre a data do cicloMantenha o critérioAtualize com evidênciaCompare evolução e decida

Acrescente uma coluna de evidência ou mantenha um registro associado com: situação observada, data, avaliador e fonte. Evite guardar somente a nota, pois ela perde significado quando o contexto muda ou o gestor responsável deixa a empresa.

Como identificar gaps individuais e coletivos

O gap individual é a diferença entre o nível necessário para a função ou movimento pretendido e o nível demonstrado pelo colaborador. Ele orienta PDI, feedback e experiências de aprendizagem.

Já o gap coletivo aparece quando muitas pessoas estão abaixo do nível requerido na mesma habilidade ou quando uma atividade crítica depende de poucas pessoas. Ele orienta academia corporativa, contratação, documentação de processos e redesenho do trabalho.

Analise quatro padrões:

  1. Gap disseminado: grande parte da equipe precisa desenvolver a mesma habilidade. Pode justificar uma trilha coletiva.
  2. Gap concentrado: poucas pessoas precisam avançar. Mentoria, prática supervisionada ou conteúdo direcionado pode ter melhor custo-benefício.
  3. Dependência crítica: somente uma pessoa domina uma capacidade indispensável. Priorize backup e transferência de conhecimento.
  4. Capacidade ociosa: profissionais possuem habilidades avançadas pouco utilizadas. Avalie projetos, mobilidade ou atuação como multiplicadores.

Ao cruzar esses dados com histórico de aprendizagem e resultados, o RH avança de uma planilha descritiva para uma análise orientada por evidências. O uso de People Analytics no RH ajuda a organizar essa leitura sem confundir correlação com causa.

Como transformar a matriz em PDI e treinamento

Para cada gap prioritário, defina o comportamento de saída: o que a pessoa deverá conseguir fazer de modo observável. Depois, escolha a ação mais próxima do trabalho real.

Um PDI derivado da matriz pode conter:

  1. habilidade: entrevista estruturada;
  2. nível atual: 1;
  3. nível esperado: 2;
  4. ação: observar duas entrevistas, conduzir quatro com roteiro e revisar registros com um profissional nível 3;
  5. evidência: quatro entrevistas concluídas com registro completo e sem intervenção nas etapas rotineiras;
  6. prazo: 60 dias;
  7. responsável pelo acompanhamento: liderança de R&S;
  8. revisão: nova avaliação prática ao final do ciclo.

O curso é apenas uma das possibilidades. Projetos, job rotation, shadowing, mentoria, comunidades de prática e resolução de problemas reais também desenvolvem habilidade.

A escolha deve considerar a causa do gap: falta de conhecimento, pouca prática, ausência de feedback, barreira de processo ou falta de oportunidade para aplicar.

Para lacunas coletivas, estruture uma trilha com pré-avaliação, prática e verificação posterior.

Uma plataforma de Treinamento e Desenvolvimento pode ajudar a centralizar conteúdos, turmas, progresso, avaliações e certificados.

Exemplos de habilidades por tipo de equipe

Use os exemplos como ponto de partida, nunca como lista universal.

Equipe comercial

Descoberta de necessidades, qualificação de oportunidades, demonstração de solução, negociação, gestão do CRM, previsão de vendas e expansão de contas. Os critérios devem distinguir conhecer o processo de executar negociações complexas com autonomia.

Atendimento ou Customer Success

Diagnóstico do problema, comunicação com clientes, gestão de casos críticos, domínio do produto, registro no sistema, análise de saúde da carteira e condução de planos de sucesso.

Tecnologia

Arquitetura do sistema, linguagem ou framework específico, testes automatizados, segurança, observabilidade, resposta a incidentes, revisão de código e documentação técnica. Evite medir apenas anos de experiência.

Operações ou indústria

Operação de equipamento, padrão de qualidade, segurança, manutenção autônoma, leitura de indicadores, solução de falhas e melhoria contínua. Nessas áreas, níveis podem exigir demonstração prática e certificações obrigatórias.

Recursos Humanos

Entrevista por competências, análise de dados de pessoas, legislação aplicada ao processo, desenho de PDI, facilitação de calibração, planejamento de força de trabalho e gestão de projetos. Competências amplas devem ser desdobradas em ações observáveis.

Indicadores para acompanhar a matriz de habilidades

Uma matriz útil gera indicadores que apoiam decisões. Evite transformar a média geral em meta isolada, pois ela pode esconder uma habilidade crítica sem cobertura.

Cobertura de habilidades críticas

Cobertura = habilidades críticas com pelo menos o número mínimo de pessoas aptas ÷ total de habilidades críticas × 100

Exemplo: a área possui dez habilidades críticas e oito têm ao menos duas pessoas no nível necessário. A cobertura é de 80%.

Taxa de gaps prioritários

Taxa de gaps prioritários = gaps classificados como prioritários ÷ avaliações aplicáveis × 100

Acompanhe a evolução por área e habilidade, sem usar o número para comparar equipes com requisitos muito diferentes.

Índice de autonomia

Índice de autonomia = avaliações no nível 2 ou superior ÷ avaliações em habilidades que exigem autonomia rotineira × 100

Ajuste o nível de corte de acordo com a escala adotada e com o nível exigido para a atividade.

Cobertura de sucessão

Cobertura de sucessão = posições críticas com ao menos um sucessor em desenvolvimento ou pronto ÷ total de posições críticas × 100

A matriz ajuda a verificar habilidades, mas a classificação de prontidão deve incluir os demais critérios de sucessão.

Tempo para proficiência

Meça o intervalo entre o início do desenvolvimento e a demonstração consistente do nível esperado. Esse indicador ajuda a comparar métodos de aprendizagem e planejar ramp-up, sem premiar avaliações apressadas.

Evolução após treinamento

Compare o nível antes e depois da ação e confirme a aplicação em contexto real. A conclusão de um curso é indicador de atividade; a mudança de nível, quando sustentada por evidência, é indicador de desenvolvimento.

Erros comuns ao montar uma matriz de habilidades

Mapear habilidades demais

Uma matriz extensa fica desatualizada rapidamente. Priorize capacidades que diferenciam desempenho, protegem a operação ou serão necessárias à estratégia.

Usar critérios subjetivos

Termos como “bom”, “avançado” ou “excelente” permitem interpretações diferentes. Descreva autonomia, complexidade, frequência, qualidade e capacidade de orientar.

Confundir nota com valor profissional

O nível se refere a uma habilidade em um contexto, não ao valor da pessoa. Comunique esse princípio e restrinja o acesso aos dados conforme a finalidade.

Exigir nível máximo de todos

O objetivo não é formar especialistas em tudo. Defina a combinação de capacidades necessária para a equipe e crie cobertura adequada.

Avaliar sem evidências

Memória recente, afinidade e visibilidade podem distorcer a avaliação. Registre provas, calibre critérios e revise a matriz periodicamente.

Não gerar ações

Se os gaps não virarem prioridade, PDI, treinamento, contratação ou transferência de conhecimento, a matriz será apenas mais uma obrigação administrativa.

Como a RHGestor apoia uma gestão orientada por competências

A matriz de habilidades ganha valor quando deixa de ser uma planilha isolada e passa a conversar com os processos de desempenho e desenvolvimento.

A solução de Avaliação de Desempenho da RHGestor permite realizar avaliações de 90°, 180° e 360°, avaliar competências técnicas e comportamentais, registrar feedbacks, criar PDIs, relacioná-los a treinamentos e apoiar análises de talentos com a 9 Box.

Com dados integrados, o RH acompanha o histórico de cada profissional, direciona ações para os gaps relevantes e reduz decisões baseadas apenas em percepções dispersas. Para médias e grandes empresas, essa conexão ajuda a dar consistência ao processo entre áreas, unidades e lideranças.

Se a sua empresa precisa transformar o mapeamento de habilidades em avaliações, PDIs e desenvolvimento acompanhável, conheça a plataforma e veja como o processo pode ser adaptado à sua realidade.

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Foto de Júlia Rovani
Júlia Rovani
Redatora e líder da área de Conteúdo da RHGestor by Sólides, onde atua há mais de três anos. É formada em Comunicação e Multimeios pela Universidade Estadual de Maringá, com experiência em produção de conteúdo com foco em SEO. Lidera a criação de materiais ricos, blogposts e eventos online voltados para a área de Gestão de Pessoas, em especial, para médias e grandes empresas.